Finalmente no ar?

As vicissitudes da vida me colocaram de frente ao computador e seus constantes transformações já nos idos anos 80. Das mais de cem laudas cheias de contas que eram necessárias para obter os dados das curvas de estabilidade a uns quantos minutos em um IBM-XP, o computador mudou a minha perspectiva da Engenharia. Foi assim também com o plano de linhas, esse A0 desenhado com esmero artístico e com prazer existencial; suas pesas e varetas fizeram de mim um desenhista caprichoso que só sucumbiu à estética flexível das curvas Beziers e NURBS.

Mas tudo isso em nada se compara à descoberta do computador como apresentado por mi grande amigo Waldyr Azevedo através do livro de Terry Winograd e Fernando Flores Understanding Computers and Cognition: do cálculo à comunicação, esse foi o salto mortal triplo que experimentei ao começo da década dos noventa. Se passei noites escrevendo códigos em gwbasic e outras tantas tentando entender a lógica do C++, foi com a rede Bitnet e seu sistema de correio eletrônico que nas tardes do laboratório da COPPE se me abriu a primeira porta ao mundo. Conheci seres distantes, amorfos (perguntava, como Milton Nascimento Quem é você, porque te vejo sem te ver?) e por causa de uma servidora da UFRJ entrei de cabeça na World Wide Web a programar CGI e sockets TCP-IP.

Mas foi esse tal de HTTP o que me fez dar o salto mortal triplo. No nascimento da minha Antonia fiz meu primeiro site público, mi primeira tentativa de transparecer minha vida pessoal. Desenvolvi árvores de conhecimento e ambientes de aprendizagem muito antes da onda Pierre Levy no Brasil. Do Ortuk e nossa vã tentativa de criar uma rede social estudantil com os protocolos da USP foi um pulo para o Facebook.

O resto é conhecido, Flickr, Linkedin, Youtube, Instagram e demais. Sim, transitei em muitos ambientes e redes sociais e profissionais.

Por isso que de certa forma, agora, no WordPress, organizando os conteúdos e canalizando e publicando ideias, me parece estranha essa colocação: finalmente no ar!

Mas é também uma verdade: aqui estou eu, apresentando o meu alter-ego professoral.

Bem vindos!

Quem é você? (Milton Nascimento)